terça-feira, 23 de agosto de 2011

A alegria não

Eles queriam meu tempo;
eu dei.
Quiseram minha mão-de-obra;
cedi.
Depois cobraram meu dinheiro;
tiveram-no.
Não satisfeitos, exigiram minha liberdade;
conseguiram.

Então desejaram minha alegria.
Quiseram, cobraram, exigiram;
mas essa não.
E ao negá-la,
retornaram meu tempo,
meu trabalho, meu dinheiro e minha liberdade.

E eles nunca os terão de volta.”

(Vivian Freitas)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A suruba mental como válvula de escape

Meu nome é Vivian Freitas Silveira e, embora não morra de amores por nenhum dos meus dois sobrenomes, acredito que poderia ser muito pior, então não reclamemos.
Uma das coisas que mais gosto na vida é de palavras. Aprecio as sonoridades, a combinação das sonoridades com os significados, a forma que tomam os lábios o pronunciá-las e a combinação dessa forma com a sonoridade e com o significado. Fascina-me as infinitas possibilidades que elas permitem, assim como deve se deixar fascinar o músico pelas notas musicais.
Duas palavras que aprecio tanto pela sonoridade quanto pelo significado são sensatez e silêncio. A forma que os lábios tomam ao falá-las se faz elegante; me agrada aos ouvidos a sonoridade dos “s”; e ambas tão cruciais para a evolução da consciência humana. E por não possuir o honroso e belo ato de praticá-las frequentemente estou criando este blog. Pretendo vomitar aqui toda a minha falta de elegância, de sensibilidade [ou sensibilidade em demasia] , falhas de caráter, excessos, arrogâncias, franquezas, insultos, indignações e afins, tudo isso com a intenção de ser uma pessoas melhor num futuro não muito distante. E pretendo usar a arte para dar apoio e respaldo aos devaneios que virão. Quem melhor do que ela, não? e
Resumindo, isto aqui nada mais é que uma válvula de escape para toda a minha insanidade, falta de educação e moral. E nada melhor pra escapar da realidade do que uma suruba psicodélica.
Tudo isso pela busca do homem Ju¹ que há em mim.
Oremos.


*¹ – “[...] o pensamento confucionista mostra o chamado Caminho do Ju, concentrando os ideais morais, a educação, as artes, a continuidade do passado, o ritual e a ordem estabelecidos pela Divindade.
[...] Um Ju é sempre amplo em seus conhecimentos; cultiva sua conduta sem cessar e em sua vida privada não se abandona. Quando conversa, não se aparta da Verdade . Em suas maneiras pessoais apreciam o viver em paz em harmonia com os demais. Cultiva a beleza em seu caráter e é tranqüilo em seus hábitos. Admira os que são mais inteligentes do que ele e é generoso com o vulgo. Por outro lado, e fundamentalmente flexível. Tal é sua envergadura de espírito e sua serenidade de caráter.” Apostila do curso de Filosofia à Maneira Clássica da Associação Cultural Nova Acrópole, paginas 101 e 102.